Embora a maioria dos Vinhos do Porto seja actualmente produzida através de métodos modernos que utilizam tecnologia de vinificação avançada, uma pequena parte continua a ser produzida pelo método tradicional da pisa a pé. Em qualquer um destes sistemas, as fermentações são relativamente reduzidas (cerca de dois dias) porque o Vinho do Porto é um vinho fortificado. A fortificação, que envolve a adição de aguardente vínica natural ao mosto fermentado, interrompe intencionalmente o processo de fermentação numa altura em que cerca de metade do açúcar natural das uvas foi convertido em álcool. Este processo é responsável por um Porto voluptuoso e contribui igualmente para um potencial considerável de envelhecimento do vinho. Dado o curto ciclo de fermentação, é essencial extrair o máximo possível de sabor, cor e taninos da película das uvas.

A Graham’s continua a produzir alguns dos seus Vinhos do Porto através da pisa a pé em lagares de pedra (tanques de pedra pouco profundos para a pisa feita com os pés). O Douro Superior é um dos últimos locais no mundo onde ainda se mantém a tradicional pisa a pé. Esta pisa tradicional não é feita para entreter os turistas, mas porque, simplesmente, continua a produzir alguns dos melhores Vinhos do Porto. No entanto, os velhos lagares exigem a força do homem, um recurso cada vez mais raro no Douro Superior, e a temperatura é difícil de controlar. De modo a solucionar estes problemas, a equipa de vinificação da Graham’s desenvolveu a primeira máquina automática mundial especialmente concebida para a pisa das uvas. Este ‘lagar robótico’ é constituído por um tanque pouco profundo em aço inoxidável equipado com pistões mecânicos para pisar uvas, cujos movimentos suaves reproduzem com exactidão a acção dos pés humanos, sendo de facto as uvas pisadas contra o chão do tanque, ao contrário de outros métodos recentemente introduzidos no Douro, que simplesmente empurram a ‘manta’ na direcção do mosto. Os ensaios com o protótipo tiveram início durante a vindima de 1998 e continuaram com desenvolvimentos adicionais durante a vindima de 1999. Aquando da colheita de 2000, estes lagares robóticos foram instalados na nova adega modernizada da Quinta dos Malvedos e provaram imediatamente o seu valor, produzindo vinhos excepcionais. Produziram Vinhos do Porto que suplantaram a qualidade dos lagares tradicionais com pisa a pé, ao mesmo tempo que eram eliminadas as deficiências desse método. A introdução dos lagares robóticos da Graham’s provou ser um marco na vinificação no Vale do Douro.

Robotic Lagar
Lagar robótico na Quinta dos Malvedos



Treading
Lagar tradicional na Quinta dos Malvedos

Ver o lagar robótico da Graham’s em acção:



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